
Desde 2007, junto com um dos homens mais lindos dessa São Paulo- o Jorge Grinspum, eu sou curadora e produtora de um Festival, o ENTRETODOS. Daqui alguns dias, encerrarão as inscrições e eu começarei a maratona diante da tela. Todos os anos, recebemos CENTENAS, centenas de curtas em vídeo e película (!!), de todos os formatos e gêneros, uma babilônia total, um labirinto de imagens e histórias reais, imaginárias, abstratas, estéticas, e, muitas vezes, cada curta traz uma porção de tudo isso, planos da percepção humana, tudo pulsando aqui. Os filmes chegam. Dezenas de cantos do Brasil e, com sorte, também aterrisam do México, Peru, Cuba, Argentina, Portugal...enfim. Meu sonho é receber um pacotinho, envelope pardo que seja, com remetente Africano. Burkinafasso. Mali. Senegal. Kenya. Angola. Sim, um dia chegaremos lá, passaremos os nossos filmes (quer dizer, os filmes de...) nas terras antigas. E negras. Musicais. Ai-ai.
Eu acordarei no dia 01 de agosto de manhã bem cedo. Depois do café, arregalo os olhos e dali só repouso robóticamente ao meio dia para almoçar e mais tarde tomar banho-cerveja-cama-boa noite-sonhos cheios de personagens vindos da conchinchina-sono profundo-preto.
E só. É meio: maratona "laranja-mecânica" do bem:) E dura também, filmes que apunhalam. Rostos amazônicos, dentes periféricos, solas secas, fábricas, asfalto, pele, prisões e muita trituração. É, direitos humanos é assim também. Lá no fundo, do fundo daquilo que a sociedade insistentemente: programa. E fico muitas horas queimando meus restantes neurônios: direitos humanos, é possível? Não seria um contra-senso? Discutir legislação, as cascas e camadas rígidas demais do que se chama Sociedade, Estrutura Social, na tentativa de extrair algo na direção do particular, do mínimo, das miudezas e delicadezas cheias de memórias e marcas. Cada um dos seres humanos em particular ou em grupos menores, fora da idéia mesmo de máquina social. Fora do conceito de massa? Será? Fora, fora. Dentro, dentro. Aiai.Cada diretor é um olhar neste sentido, o do particular, secreto...Pode ser uma guerra sanguinária? Pode-se promover uma idéia-utopia-sei lá- de Cultura de Paz mostrando sangue? Pode ou não? Sim? Talvez? Esses são os nossos espaços, os limites, borderlines... Será?
Agora é ver! Inspirar histórias! Obrigado a todos que colocam suas idéias no correio para nosotros aqui:)
A arte aí acima é do Glauco Diogenes, e, o Festival vai rolar no CineSESC em Setembro...www.entretodos.com.br
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